Enquanto chovia



Enquanto chovia

Eu lembro-me que 3 horas antes, a chuva veio devagar com ar de preguiça, pingava como quem chora sozinho, eram gotas frias de arrepiar a pele. O céu nublado, nenhuma estrela ousada para desafiar aquela cena. Os ventos podiam falar estranhamente, mas eu percebia que nos alertava de uma noite que marcaria as nossas vidas.
Da janela, vi as ruas abandonadas e sem graça, as pessoas temiam que se apressassem os seus destinos, pois se espalhava uma fama de um possível ciclone que se formara no alto mar.
Horas depois, já não era aquela chuva pingona que me tirava do sério, essa caía violentamente e batia nas chapas de zinco e produzia um barrulho ensurdecedor.
A chuva parecia vingar-se de alguém, tamanha ira que se manifestara. O medo de sei lá o que tomou o meu coração e o encheu de culpa.

Eu orava para me manter forte, era a única coisa que podia fazer, eu não me lembro das palavras que proferi mas acho que não falava certo, mas ali eu cria que Deus me ouvia mesmo sem saber o que dizia, não sabia se pedia perdão dos meus pecados se pedia um milagre urgente, sabe, só abri a minha boca e falei descontroladamente, e confesso que nunca tive tanta fé como naquela noite.


Escrito por: Rizon Vealzinho.
Desenhos de: Laurentino da Olga.

8 comentários:

  1. Belo texto..! continues nos trazer mais factos reais na sociedade moçambicana e no mundo inteiro , sem mais de longas digo que estás de parabéns bro pemba (Cabo Delgado) precisá de pessoas como tu.

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  2. Belo texto..! Continues nos trazer mais factos reais na sociedade moçambicana e no mundo inteiro, sem mais de longas digo que estás de parabéns bro pemba (Cabo Delgado) precisa de pessoas que têm competência e que és tu.

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  3. Muito lindo o texto, ilustre. O caminho eh pra frente, do meu lado disponha sempre. Um abraco!

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